Itprotect prevê crescimento de 30% e entrada no mercado privado em 2026

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iTProtect alcança R$ 300 milhões em receita e prepara entrada no setor privado em 2026

A iTProtect, empresa brasileira especializada em cibersegurança, infraestrutura de tecnologia e serviços gerenciados de segurança, acumulou aproximadamente R$ 300 milhões em receita nos últimos cinco anos. A companhia prevê manter o ritmo de expansão e estima crescimento superior a 30% em 2026, impulsionada pela demanda por proteção digital, continuidade operacional e serviços especializados.

A estratégia de crescimento combina a comercialização de tecnologias de fabricantes globais com consultoria, implementação, monitoramento contínuo e resposta a incidentes. Segundo a empresa, entre 70% e 80% dos projetos realizados já integram soluções tecnológicas a serviços gerenciados, modelo que favorece contratos de longo prazo e uma atuação mais próxima das necessidades de cada cliente.

Resiliência passa a ser prioridade nas empresas

Para Théo Costa, CEO da iTProtect, a evolução do mercado de segurança digital mudou o foco das organizações. Mais do que tentar impedir todos os ataques – algo considerado impossível -, as empresas precisam estar preparadas para resistir a incidentes e retomar suas atividades rapidamente.

“Proteção absoluta não existe. O que as empresas precisam construir é resiliência. Depois de um incidente, o mais importante é garantir que a operação continue funcionando, minimizando impactos ao negócio. É essa capacidade que nossos clientes buscam e que orienta toda a nossa estratégia”, afirma o executivo.

Essa visão amplia o papel da cibersegurança dentro das organizações. A área deixa de ser tratada apenas como um departamento técnico e passa a integrar os planos de continuidade de negócios, gestão de riscos, governança corporativa e proteção de ativos estratégicos.

Inteligência artificial cria oportunidades e novos riscos

A inteligência artificial ocupa posição relevante na estratégia da iTProtect. A tecnologia já está presente em soluções oferecidas por parceiros estratégicos e também em processos internos, com o objetivo de aumentar a eficiência operacional, aprimorar o monitoramento e acelerar a identificação de comportamentos suspeitos.

Ao mesmo tempo, a IA tornou o ambiente digital mais complexo. Ferramentas automatizadas podem ser utilizadas por criminosos para criar campanhas de phishing mais convincentes, desenvolver códigos maliciosos, manipular identidades e explorar vulnerabilidades em maior escala.

“O avanço da inteligência artificial aumentou significativamente a superfície de ataques. Ao mesmo tempo em que oferece novas ferramentas para defesa, também amplia os recursos disponíveis para os criminosos. Por isso, estamos investindo continuamente em tecnologia, capacitação e inovação para entregar serviços cada vez mais inteligentes e eficazes”, destaca Costa.

Nesse cenário, o uso responsável da inteligência artificial exige controles de acesso, políticas para proteção de dados, rastreabilidade das atividades e avaliação constante dos riscos. Empresas que adotam ferramentas de IA sem governança podem expor informações confidenciais ou criar novas portas de entrada para ataques.

Atuação concentrada em organizações de missão crítica

A iTProtect mantém aproximadamente 70 contratos ativos de serviços gerenciados de segurança. A atuação está concentrada principalmente em organizações de missão crítica, com forte presença no setor público, incluindo tribunais e órgãos governamentais.

Entre as frentes atendidas estão a gestão de exposição digital, proteção de identidades, segurança em ambientes de nuvem, defesa de perímetro e gerenciamento de vulnerabilidades. Esses serviços permitem acompanhar continuamente o ambiente tecnológico do cliente e agir antes que uma falha seja transformada em incidente de grande impacto.

Em instituições públicas, a proteção digital também está relacionada à disponibilidade de serviços essenciais. Uma indisponibilidade em sistemas judiciais, plataformas administrativas ou estruturas de atendimento pode afetar diretamente cidadãos, empresas e outras instituições.

Regulação aumenta a pressão por investimentos

O avanço das exigências regulatórias é outro fator que impulsiona o mercado de cibersegurança. Organizações públicas e privadas precisam demonstrar maior maturidade na proteção de dados, na gestão de riscos e na segurança de infraestruturas consideradas críticas.

Na avaliação de Costa, investir em segurança digital significa proteger não apenas sistemas, mas também serviços, informações estratégicas e a capacidade de funcionamento de instituições inteiras. Em períodos de maior sensibilidade política e administrativa, como anos eleitorais, a necessidade de proteger ambientes digitais ganha ainda mais relevância.

“Hoje, quem investe em cibersegurança não está apenas adquirindo tecnologia. Está protegendo a continuidade dos serviços, dados estratégicos e, em muitos casos, aspectos ligados à soberania nacional”, afirma.

A conformidade regulatória, porém, não deve ser o único motivo para uma organização investir em segurança. Atender à legislação é uma obrigação mínima. A proteção efetiva depende de processos consistentes, equipes preparadas, monitoramento permanente e capacidade de resposta coordenada.

Expansão para o mercado privado está prevista para 2026

Depois de consolidar sua presença no setor público, a iTProtect planeja avançar de forma estruturada sobre o mercado privado a partir de 2026. A empresa pretende concentrar esforços em grandes organizações dos segmentos financeiro, industrial e do agronegócio, áreas que operam com alto volume de dados e dependem cada vez mais de sistemas digitais.

No setor financeiro, os principais desafios envolvem fraudes, proteção de identidades, disponibilidade de plataformas e cumprimento de normas rigorosas. Na indústria, a conexão entre redes corporativas e ambientes operacionais amplia os riscos para sistemas de controle e linhas de produção. Já o agronegócio enfrenta ameaças relacionadas à cadeia de suprimentos, conectividade remota, automação e proteção de informações estratégicas.

A entrada no mercado privado deve exigir adaptações comerciais e técnicas. Grandes empresas costumam buscar integração com ambientes já existentes, indicadores claros de desempenho, atendimento ininterrupto e capacidade de atuar em operações distribuídas. O conhecimento acumulado em projetos críticos pode ser um diferencial para a companhia nessa nova etapa.

Ampliação de serviços próprios

A empresa também trabalha na expansão de um portfólio de serviços proprietários sob a marca iTProtect. A iniciativa busca reduzir a dependência exclusiva das tecnologias de fabricantes e permitir maior controle sobre processos, entregas e experiência do cliente.

Serviços próprios podem contribuir para a criação de ofertas mais flexíveis, adaptadas às características de cada setor. Também podem facilitar a integração entre diferentes ferramentas de segurança, evitando que os clientes dependam de soluções isoladas e pouco conectadas.

Para sustentar esse movimento, será necessário manter investimentos em pesquisa, formação profissional e desenvolvimento de metodologias. A escassez de especialistas continua sendo um dos principais obstáculos do setor, especialmente em áreas como resposta a incidentes, engenharia de segurança em nuvem, análise de ameaças e proteção de identidades.

Crescimento depende de pessoas e processos

Embora a tecnologia seja essencial, a eficácia de um programa de segurança depende igualmente de processos bem definidos e profissionais qualificados. Ferramentas avançadas não eliminam a necessidade de análise humana, planejamento, testes e revisão periódica dos controles.

A combinação entre monitoramento contínuo, capacitação e exercícios de simulação permite identificar falhas antes que elas sejam exploradas. Também ajuda a reduzir o tempo de resposta e a limitar prejuízos financeiros, operacionais e reputacionais.

“Construímos uma base sólida, desenvolvemos um ecossistema robusto de parceiros, investimos continuamente em pessoas e agora estamos preparados para uma nova fase de expansão”, conclui Costa.

Com a previsão de crescimento superior a 30% em 2026, a iTProtect pretende transformar a experiência acumulada no setor público em uma plataforma para conquistar grandes clientes privados. O desafio será preservar a qualidade dos serviços, acompanhar a rápida evolução das ameaças e oferecer soluções capazes de proteger operações cada vez mais dependentes de tecnologia.