Veridas debate autenticação digital e combate a fraudes no sistema financeiro brasileiro

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Veridas debate autenticação digital e combate a fraudes no sistema financeiro em São Paulo

A Veridas, multinacional especializada em identidade digital, realizou em 19 de agosto, em São Paulo, o Identity & Business Day. O encontro reuniu representantes de instituições como Bradesco, Santander e 4EXON para discutir os principais desafios relacionados à autenticação, à biometria e à prevenção de fraudes no setor financeiro brasileiro.

A iniciativa faz parte do plano de expansão da empresa no Brasil, considerado um dos mercados prioritários para a Veridas. O país apresenta um ecossistema financeiro altamente digitalizado e inovador, mas também convive com uma estrutura criminosa cada vez mais preparada para explorar vulnerabilidades tecnológicas e comportamentais.

Entre os assuntos tratados no evento estiveram a evolução da biometria, o uso de inteligência artificial na proteção de transações, as exigências regulatórias ligadas à identidade digital e formas de reduzir perdas sem tornar a experiência do cliente mais complexa. A discussão ganhou relevância diante do avanço de golpes baseados em deepfakes, identidades sintéticas e técnicas de engenharia social.

Inteligência artificial amplia riscos e possibilidades

A inteligência artificial passou a ocupar uma posição central na segurança digital. De um lado, permite analisar grandes volumes de dados, identificar padrões suspeitos e acelerar a validação de usuários. De outro, também oferece ferramentas para criminosos produzirem documentos falsos, reproduzirem vozes e manipularem imagens com elevado grau de realismo.

Os chamados deepfakes podem ser usados para simular a aparência ou a voz de uma pessoa durante uma tentativa de abertura de conta, recuperação de acesso ou autorização de uma operação. Por isso, os processos modernos de autenticação precisam avaliar mais do que uma simples fotografia ou senha.

A combinação de biometria facial, prova de vida, análise documental e inteligência artificial comportamental tende a oferecer uma proteção mais consistente. Esses mecanismos permitem verificar se o usuário é uma pessoa real, se o documento apresentado é legítimo e se há sinais de manipulação ou comportamento incompatível com o histórico do cliente.

Biometria precisa equilibrar segurança e usabilidade

Durante o encontro, também foi destacada a necessidade de reduzir o atrito nas jornadas digitais. Exigir múltiplas etapas de confirmação pode aumentar a segurança, mas, quando o processo é excessivamente demorado, o consumidor pode abandonar a operação ou buscar canais menos protegidos.

O desafio das instituições financeiras é encontrar um equilíbrio entre proteção e conveniência. Uma autenticação eficiente deve ser rápida, acessível e capaz de se adaptar ao risco de cada operação. Uma transação rotineira pode exigir menos verificações, enquanto uma alteração de dados, contratação de crédito ou transferência fora do padrão deve receber uma análise mais rigorosa.

Esse modelo, conhecido como autenticação baseada em risco, permite direcionar os controles de segurança para situações realmente suspeitas. Assim, clientes legítimos enfrentam menos obstáculos, enquanto comportamentos anômalos acionam verificações adicionais.

Fraudes de identidade exigem abordagem integrada

A fraude de identidade sintética representa uma preocupação crescente para bancos e fintechs. Nesse tipo de golpe, o criminoso combina informações verdadeiras, obtidas por vazamentos ou engenharia social, com dados falsos para criar um perfil aparentemente legítimo.

A dificuldade está no fato de que a identidade fraudulenta pode construir histórico ao longo do tempo, realizar pequenas movimentações e só depois tentar obter valores mais elevados. A prevenção, portanto, não deve se limitar ao momento de cadastro. É necessário acompanhar continuamente o comportamento da conta e atualizar a avaliação de risco.

A integração entre áreas de cadastro, autenticação, monitoramento transacional e atendimento ao cliente contribui para detectar inconsistências com maior rapidez. Também é importante compartilhar sinais de risco entre sistemas internos, respeitando as regras de privacidade e proteção de dados.

Regulação e responsabilidade no uso de dados

O avanço da identidade digital ocorre em paralelo ao aumento das exigências regulatórias. Instituições financeiras precisam demonstrar que coletam apenas os dados necessários, mantêm controles de segurança adequados e utilizam informações biométricas de forma transparente e responsável.

A proteção de dados deve ser considerada desde a concepção das soluções. Isso inclui definir prazos de retenção, controlar acessos, registrar operações realizadas pelos sistemas e garantir que decisões automatizadas possam ser auditadas.

Outro ponto relevante é a explicação ao consumidor. O usuário deve compreender por que uma verificação foi solicitada, quais informações serão analisadas e como seus dados serão protegidos. A clareza ajuda a aumentar a confiança e reduz a resistência à adoção de novas tecnologias.

Experiência acumulada em escala internacional

Segundo a empresa, a Veridas já realizou mais de 600 milhões de verificações de identidade para mais de 350 clientes distribuídos em 25 países. A companhia também foi reconhecida como Visionária no Gartner Magic Quadrant™ 2026 para Verificação de Identidade pelo segundo ano consecutivo.

No mês anterior ao evento, a Veridas anunciou uma fusão com a Fourthline. A operação ampliou a presença geográfica da companhia e passou a apoiar o processamento de milhões de verificações todos os dias em mais de 50 países.

Para Anders Hartington, diretor da Veridas no Brasil, o sistema financeiro brasileiro está entre os mais inovadores do mundo, mas enfrenta uma indústria de ameaças cada vez mais sofisticada. De acordo com o executivo, o objetivo do encontro foi estimular uma discussão qualificada sobre a evolução das estratégias de identidade digital e prevenção a fraudes.

O papel das instituições na prevenção

A tecnologia, isoladamente, não elimina o risco de fraude. Os resultados dependem também de processos bem estruturados, equipes treinadas e políticas claras para responder a incidentes. Bancos e empresas financeiras precisam revisar regularmente seus procedimentos de autenticação, especialmente diante do surgimento de novos golpes baseados em IA.

A educação dos consumidores é outro componente importante. Orientações sobre links falsos, chamadas fraudulentas, compartilhamento de códigos e solicitações suspeitas podem reduzir a eficácia de ataques de engenharia social. Mesmo sistemas avançados podem ser contornados quando o próprio usuário é induzido a autorizar uma ação maliciosa.

A tendência é que a autenticação digital se torne cada vez mais invisível para o cliente, mas mais sofisticada nos bastidores. Em vez de depender exclusivamente de senhas ou códigos enviados por mensagem, as instituições deverão combinar biometria, análise de contexto, reputação do dispositivo e comportamento de uso.

O debate promovido pela Veridas reforça que a segurança financeira exige atualização contínua. À medida que a inteligência artificial aumenta a capacidade dos fraudadores, também se torna essencial utilizá-la para identificar anomalias, validar identidades e proteger operações sem comprometer a praticidade dos serviços digitais.