Lançamento de livro infantil ensina crianças a proteger dados e criar senhas seguras
A discussão sobre segurança digital deixou de ser um tema exclusivo de adultos faz tempo. Com crianças cada vez mais conectadas, um novo livro infantil chega ao mercado com a proposta de aproximar o universo da proteção de dados da realidade dos pequenos. No dia 8 de março de 2026, às 15h, a Livraria da Travessa do BarraShopping, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, recebe o lançamento de “O Cibernauta em: A Super Senha Secreta”, obra que busca traduzir conceitos complexos de segurança da informação em uma linguagem divertida e acessível para leitores de 6 a 10 anos.
O livro é assinado por Daniel Meirelles, especialista em segurança da informação, e pelo economista Eduardo Argollo. Juntos, eles criaram uma narrativa lúdica em que os personagens se veem diante de situações muito parecidas com aquelas que as crianças vivem no dia a dia ao usar tablets, celulares, computadores e videogames conectados. A história aborda temas como criação de senhas fortes, cuidado com dados pessoais e atitudes seguras em ambientes virtuais.
O lançamento ocorre em um cenário de forte crescimento do acesso infantil à internet. De acordo com a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2024, realizada pelo Cetic.br, 82% das crianças brasileiras de 6 a 8 anos já utilizavam a internet em 2024 – quase o dobro do registrado dez anos antes. Para os autores, esse dado evidencia que a educação digital não pode mais ser tratada como um complemento opcional, mas sim como parte essencial do processo de alfabetização.
Na trama de “O Cibernauta em: A Super Senha Secreta”, os protagonistas precisam lidar com desafios típicos da vida online: escolher senhas difíceis de adivinhar, desconfiar de pedidos estranhos de informação, identificar comportamentos suspeitos em jogos e redes, além de aprender a importância de não compartilhar dados pessoais, como endereço, escola, número de telefone ou fotos em excesso. Tudo é apresentado de forma leve, por meio de aventuras, humor e situações cotidianas, de modo que a criança consiga se enxergar na história.
Um dos objetivos centrais da obra é aproximar pais e filhos na conversa sobre segurança digital. Em vez de apenas impor regras, o livro estimula o diálogo: a criança é convidada a pensar por que uma senha precisa ser forte, quais são os riscos de falar com desconhecidos online e o que pode acontecer se ela revelar informações demais. Com isso, o aprendizado deixa de ser algo imposto de cima para baixo e passa a ser construído em família.
Para Daniel Meirelles, a formação desse repertório de segurança precisa começar cedo. Ele lembra que a nova geração cresce rodeada de telas: “A criança de hoje já nasce conectada. Se a orientação sobre riscos começa tarde, perde-se o caráter preventivo”, explica. A proposta do livro, segundo ele, é justamente atuar na fase em que a curiosidade é maior do que a percepção dos perigos, fornecendo ferramentas para que os pequenos façam escolhas mais seguras.
Eduardo Argollo reforça que o propósito vai além de simplesmente dizer o que pode e o que não pode. “Quando a criança entende a lógica por trás de não falar com desconhecidos ou proteger sua senha, ela se torna um agente ativo de sua própria segurança”, afirma. A ideia é desenvolver autonomia responsável: em vez de depender exclusivamente da supervisão de adultos, o leitor passa a reconhecer situações de risco e a tomar decisões mais conscientes no ambiente digital.
O impacto da obra já começou a ser percebido no ambiente escolar. Lançado em dezembro de 2025 pela editora Brasport, o livro foi incorporado à grade de ensino de um colégio do Rio de Janeiro como material de apoio em projetos de cidadania digital. Professores utilizam a história para discutir temas como respeito nas interações online, privacidade, responsabilidade ao compartilhar conteúdos e noções básicas de legislação de proteção de dados, em linguagem adaptada à faixa etária. Isso reforça o potencial educacional da obra, que ultrapassa o caráter meramente recreativo.
O evento de lançamento no BarraShopping pretende aproximar ainda mais famílias, educadores e especialistas. Além da sessão de autógrafos, a expectativa é que os autores conversem com o público sobre desafios atuais da infância conectada, boas práticas para uso de dispositivos e maneiras de introduzir o tema da proteção de dados em casa e na escola sem gerar medo, mas sim consciência.
Serviço do evento:
– Lançamento do livro: “O Cibernauta em: A Super Senha Secreta”
– Data: 8 de março de 2026
– Horário: 15h
– Local: Livraria da Travessa – BarraShopping
– Endereço: Av. das Américas, 4.666 – Barra da Tijuca, Rio de Janeiro
Quem é Daniel Meirelles
Daniel Meirelles atua há mais de duas décadas na área de Segurança da Informação, com carreira consolidada no setor financeiro brasileiro. Gestor sênior de tecnologia, especializou-se em Transformação Digital e Inteligência Artificial Generativa pelo MIT e possui certificação em Cybersecurity pela ISC2. Sua trajetória é marcada pela atuação em proteção de dados, governança digital e mitigação de riscos cibernéticos. A experiência profissional se somou à vivência pessoal como pai e à preocupação com a exposição precoce das crianças na internet, dando origem ao projeto O Cibernauta, do qual é coautor e idealizador.
Quem é Eduardo Argollo
Economista, com mestrado em Administração de Empresas pela Université de Bordeaux, Eduardo Argollo acumula mais de 17 anos de experiência em grandes organizações nacionais e internacionais dos setores de gestão, saúde e seguros. Atuou em cargos de liderança em projetos estratégicos, PMO e integração pós-aquisição em empresas como PwC, Vale, Rede D’Or São Luiz, DaVita, Grupo H+ e Oncoclínicas, entre outras. No projeto O Cibernauta, contribui com a visão de gestão, educação e impacto social, voltada à formação de cidadãos digitais responsáveis desde a infância.
A importância de falar sobre senhas com crianças
Um dos pontos centrais do livro é a noção de “super senha secreta” – um conceito que, à primeira vista, parece simples, mas que costuma ser negligenciado por adultos e crianças. A obra mostra de forma concreta como senhas fracas, como datas de aniversário, nomes de animais de estimação ou sequências óbvias, podem ser facilmente adivinhadas. Ao transformar a criação da senha em um “jogo de superpoderes”, os autores mostram que misturar letras maiúsculas e minúsculas, números e símbolos pode virar uma diversão, e não apenas uma obrigação.
Ensinar isso cedo faz diferença. Quando a criança aprende, ainda no começo da alfabetização, que a senha é uma espécie de “chave do seu mundo digital” – algo que não deve ser emprestado nem repetido em todo lugar -, ela leva esse aprendizado para a adolescência e para a vida adulta. O livro, assim, funciona como uma introdução prática a um dos pilares da segurança cibernética: a autenticação segura.
Proteção de dados pessoais na linguagem infantil
Outro tema sensível tratado pelo livro é a proteção de dados pessoais. Conceitos que para adultos estão ligados a siglas como LGPD acabam, na narrativa, sendo apresentados como informações “valiosas” que não devem ser distribuídas sem pensar. Endereço de casa, nome da escola, rotina da família e até fotos em tempo real são mostrados como dados que podem revelar demais sobre a vida da criança.
Ao se verem em situações em que personagens consideram contar ou não determinados detalhes, os pequenos leitores aprendem, por analogia, quando é hora de recusar, pedir ajuda ou chamar um adulto responsável. Esse tipo de construção narrativa ajuda a transformar o tema da privacidade em algo concreto, saindo do campo abstrato e aproximando-se de escolhas reais que a criança faz quando está com um celular nas mãos.
Como pais e responsáveis podem aproveitar a obra
Para além da leitura individual, o livro pode ser usado como ferramenta de conversa. Pais e responsáveis podem ler em voz alta, pausar em determinados trechos e perguntar o que a criança faria no lugar dos personagens. Isso permite que os adultos descubram como os filhos enxergam o mundo online, quais situações já vivenciaram, que dúvidas têm e o que já sabem – ou não – sobre segurança digital.
Outra possibilidade é criar, junto com a criança, uma “regra da casa” de uso da internet a partir das lições do livro: horários para jogar, como reagir a mensagens de desconhecidos, o que fazer se algo estranho aparecer na tela e com quem falar em caso de dúvida. Quando as normas são construídas em conjunto, a tendência é que a adesão seja maior, já que a criança participa da tomada de decisão.
Papel das escolas na formação do cidadão digital
Ao integrar “O Cibernauta em: A Super Senha Secreta” à rotina de sala de aula, a escola reconhece que o uso da tecnologia faz parte do contexto da aprendizagem atual. A obra pode servir de ponto de partida para projetos interdisciplinares envolvendo língua portuguesa, ética, cidadania, informática educativa e até matemática, ao abordar padrões de senhas e lógica de combinação.
Educadores podem propor atividades como criação de histórias alternativas, dramatizações, produção de cartazes com “dicas de segurança para o laboratório de informática” ou debates guiados sobre respeito e empatia nas interações online. Dessa forma, a discussão sobre proteção de dados deixa de ser pontual e passa a compor uma formação contínua em cidadania digital.
Riscos do acesso precoce sem orientação
O aumento do número de crianças conectadas não é, por si só, um problema. O risco aparece quando esse acesso acontece sem nenhum tipo de acompanhamento ou preparo. Sem orientação, os pequenos podem se tornar alvos fáceis de tentativas de fraude, exposição indevida de imagens, aliciamento ou bullying virtual.
Ao apresentar esses riscos a partir da ficção, o livro cria um ambiente seguro para tratar de temas delicados. Em vez de relatos assustadores, a criança entra em contato com situações simbólicas que carregam a mesma mensagem de alerta, mas com um tom adequado à sua idade. A prevenção, portanto, passa pelo equilíbrio entre informação, mediação adulta e linguagem apropriada.
Construindo uma cultura de segurança desde cedo
“O Cibernauta em: A Super Senha Secreta” se insere em um movimento mais amplo de conscientização sobre comportamento digital responsável. A ideia é que, assim como se ensina a atravessar a rua, escovar os dentes ou não falar com estranhos na rua, também se ensine a navegar na internet com cuidado, usar senhas fortes e pensar antes de compartilhar algo.
Ao unir a expertise de um profissional de segurança da informação e a visão estratégica de um economista com experiência em gestão e impacto social, o projeto demonstra que segurança digital infantil não é apenas um tema técnico, mas uma questão de educação, cidadania e proteção integral. A obra chega, portanto, como um convite para que famílias e escolas passem a olhar para o mundo online das crianças com mais atenção, responsabilidade e, ao mesmo tempo, com a leveza que a infância merece.