Positivo amplia negócios de servidores em 107% e aposta em novo ciclo de infraestrutura digital no Brasil
A demanda brasileira por capacidade computacional avançada está acelerando os investimentos em servidores, data centers, nuvem híbrida e inteligência artificial. A Positivo Servers & Solutions registrou aumento de 107% nos negócios de servidores no segundo trimestre, na comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado foi alcançado antes mesmo da entrada em vigor do Redata, regime tributário criado para estimular a expansão dos serviços de data center no país.
O desempenho reflete principalmente a procura de empresas e órgãos públicos por ambientes capazes de processar grandes volumes de dados, executar aplicações de inteligência artificial e integrar recursos locais e em nuvem. A necessidade de modernização tecnológica deixou de ser restrita a grandes companhias de tecnologia e passou a fazer parte da estratégia de organizações de diferentes setores.
Produção nacional de servidores cresce 38%
O avanço comercial foi acompanhado por uma expansão de 38% na fabricação de servidores da Positivo em relação ao ano anterior. O aumento da produção indica que a procura não está concentrada apenas em projetos pontuais, mas integra um movimento mais amplo de ampliação da capacidade computacional instalada no Brasil.
Segundo Silvio Ferraz de Campos, CEO da Positivo Servers & Solutions, a digitalização dos negócios vem pressionando empresas brasileiras a investirem em infraestrutura mais robusta. O desafio, na avaliação do executivo, é garantir que a oferta de processamento, armazenamento, conectividade e energia acompanhe o ritmo de crescimento da economia digital.
A inteligência artificial tornou esse desafio ainda maior. Modelos de IA, ferramentas analíticas e aplicações de automação exigem equipamentos capazes de lidar com cargas intensivas de processamento, além de redes mais rápidas e sistemas de armazenamento preparados para grandes volumes de informação.
Redata pode estimular investimentos em data centers
A aprovação do PLP 74/2026, que estabelece condições fiscais para a implementação do Redata, é vista pelo setor como uma oportunidade para acelerar a instalação e a expansão de data centers no país. O programa pretende criar um ambiente mais favorável para investimentos em infraestrutura digital, reduzindo obstáculos tributários e aumentando a competitividade brasileira.
O Redata, identificado também como PL 278/2026, foi aprovado pelo Senado e sancionado pela Presidência na terça-feira, dia 1º. A expectativa é que a medida incentive novos projetos e amplie a capacidade nacional de hospedagem, processamento e armazenamento de dados.
Para Silvio Ferraz de Campos, a iniciativa pode beneficiar toda a cadeia tecnológica, e não apenas os operadores de data centers. A expansão desse mercado tende a gerar demanda por servidores, storages, sistemas de refrigeração, conectividade, segurança da informação, energia e serviços especializados.
Infraestrutura nacional ganha relevância estratégica
A produção local passa a ter um papel importante em um cenário no qual a disponibilidade dos equipamentos e a velocidade do suporte técnico são fatores decisivos. Fabricar servidores no Brasil pode reduzir prazos de entrega, facilitar a manutenção e permitir maior adaptação às necessidades de empresas e instituições públicas.
A Positivo Servers & Solutions combina fabricação nacional com tecnologias desenvolvidas por parceiros internacionais. A empresa é concessionária exclusiva da Supermicro no Brasil e produz localmente soluções da marca desde 2008. O portfólio inclui servidores, storages e plataformas de alto desempenho destinadas a data centers, ambientes de nuvem e aplicações de inteligência artificial.
Essa combinação permite atender desde projetos tradicionais de virtualização até cargas mais exigentes, como análise de dados, treinamento de modelos de IA e processamento de grandes bases corporativas.
Inteliserver R2000 G10 atende workloads críticos
Entre as soluções fabricadas pela empresa está o Positivo Inteliserver R2000 G10, voltado para médias e grandes empresas e para organizações públicas. O equipamento utiliza formato rack 2U e pode operar com até dois processadores Intel Xeon de sexta geração.
A plataforma suporta até 32 módulos de memória DDR5 com velocidade de 6.400 MHz e alcança até 288 núcleos de processamento. Também reúne recursos de segurança, expansão e escalabilidade para workloads críticos, nos quais indisponibilidade ou perda de desempenho podem afetar diretamente a operação.
Servidores dessa categoria são utilizados em aplicações como bancos de dados, sistemas corporativos, virtualização, plataformas de atendimento, análise de informações e serviços digitais que precisam funcionar continuamente.
Positivo IA Box leva inteligência artificial para dentro das empresas
Outra aposta da companhia é o Positivo IA Box, uma solução corporativa de inteligência artificial instalada localmente e oferecida no modelo Hardware as a Service, conhecido pela sigla HaaS.
O formato reúne equipamentos, softwares e serviços em uma única proposta. Com isso, empresas podem adotar aplicações de IA sem necessariamente realizar um investimento inicial elevado na compra de toda a infraestrutura. O modelo também facilita a expansão gradual da capacidade conforme aumentam o volume de usuários e a complexidade dos projetos.
A instalação on-premises oferece vantagens para organizações que precisam manter maior controle sobre seus dados. Informações estratégicas podem permanecer dentro do ambiente corporativo, com políticas próprias de segurança, governança e acesso. Além disso, a previsibilidade de custos ajuda no planejamento financeiro de projetos de inovação.
IA aumenta a pressão sobre energia e eficiência
O crescimento da inteligência artificial não depende apenas da compra de servidores mais potentes. Data centers e ambientes corporativos também precisam lidar com consumo de energia, geração de calor, refrigeração e disponibilidade operacional.
Soluções de alto desempenho exigem planejamento do espaço físico e da infraestrutura elétrica. Por isso, novos projetos devem considerar não apenas a capacidade de processamento, mas também eficiência energética, redundância, monitoramento e possibilidade de expansão.
A adoção de arquiteturas híbridas pode ajudar a equilibrar custos e desempenho. Parte dos dados e das aplicações permanece em ambientes próprios, enquanto recursos de nuvem são acionados conforme a demanda. Essa estratégia permite adaptar a infraestrutura a diferentes níveis de utilização.
Segurança e governança tornam-se prioridades
À medida que mais aplicações de IA são usadas em processos empresariais, a proteção dos dados passa a ser uma preocupação central. Informações financeiras, registros de clientes, propriedade intelectual e documentos internos não podem ser tratados como dados comuns.
Por esse motivo, a infraestrutura precisa incluir mecanismos de controle de acesso, criptografia, cópias de segurança, segmentação de redes e monitoramento contínuo. A governança também deve definir quais dados podem ser utilizados em sistemas de inteligência artificial e como os resultados produzidos serão validados.
A adoção de servidores locais, combinada a políticas de segurança bem estruturadas, pode ajudar empresas a manter maior controle sobre informações sensíveis. Ainda assim, tecnologia e processos precisam avançar juntos para reduzir riscos operacionais e regulatórios.
Oportunidades para empresas brasileiras
O fortalecimento da infraestrutura digital pode beneficiar setores como indústria, varejo, saúde, finanças, agronegócio, educação e administração pública. Em todos esses segmentos, o aumento do uso de dados cria necessidade de processamento mais rápido e serviços digitais mais disponíveis.
Para fornecedores nacionais, o cenário abre espaço para o desenvolvimento de soluções específicas, serviços de integração e suporte técnico especializado. A presença local também pode facilitar a adaptação dos projetos às regras brasileiras, às características de cada operação e às necessidades de continuidade dos clientes.
O crescimento da Positivo sugere que o mercado já está se movimentando antes mesmo de todos os efeitos do Redata serem percebidos. Com incentivos fiscais e maior previsibilidade regulatória, a tendência é que novos investimentos sejam avaliados por empresas nacionais e estrangeiras.
Brasil busca posição mais forte na economia digital
O país possui demanda interna, capacidade industrial e um ecossistema tecnológico em expansão. A combinação desses fatores pode ajudar o Brasil a reduzir sua dependência de infraestrutura externa e, ao mesmo tempo, atrair projetos voltados à computação de alto desempenho e à inteligência artificial.
Para isso, será necessário avançar em várias frentes: ampliar a oferta de energia, melhorar a conectividade, formar profissionais especializados e garantir regras claras para investimentos de longo prazo. A construção de data centers também deverá observar critérios de sustentabilidade, eficiência e segurança.
O aumento de 107% nos negócios de servidores demonstra que a transformação já começou. O Redata pode ampliar esse movimento ao criar condições mais favoráveis para a expansão de data centers e para a modernização da infraestrutura tecnológica nacional. O próximo desafio será transformar o crescimento da demanda em capacidade digital permanente, competitiva e preparada para a evolução da inteligência artificial.
