Active directory: documento reúne 18 técnicas usadas em ataques e como se proteger

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Documento reúne 18 técnicas usadas em ataques contra o Active Directory

Agências de segurança cibernética dos países integrantes do Five Eyes – Austrália, Canadá, Nova Zelândia, Reino Unido e Estados Unidos – atualizaram um documento dedicado às principais técnicas empregadas por invasores para comprometer ambientes baseados em Active Directory. Além de explicar como esses ataques funcionam, o material apresenta medidas de detecção, contenção e prevenção.

O Active Directory é uma das principais plataformas de gerenciamento de identidades, usuários, dispositivos e permissões em redes corporativas. Na prática, ele atua como uma espécie de “porteiro digital”: valida credenciais, autoriza acessos e define quais recursos cada conta pode utilizar. Por concentrar informações tão importantes, o serviço se tornou um dos alvos prioritários de grupos criminosos.

Quando um invasor obtém privilégios elevados no domínio, o impacto pode ultrapassar uma única máquina. A partir desse ponto, torna-se possível movimentar-se lateralmente pela rede, acessar servidores, alterar políticas de segurança, criar novas contas e preparar ataques de ransomware. Por isso, a proteção do Active Directory deve ser tratada como uma prioridade estratégica, e não apenas como uma tarefa operacional da equipe de TI.

A nova edição do documento descreve 18 técnicas observadas em campanhas reais. Entre elas estão o Kerberoasting, o password spraying e a falsificação de tickets de autenticação conhecidos como golden tickets e silver tickets. A atualização também acrescenta o DCSync, método que permite ao atacante simular o comportamento de um controlador de domínio para obter dados de autenticação e extrair credenciais.

Principais técnicas exploradas pelos invasores

No Kerberoasting, o criminoso busca tickets associados a contas de serviço e tenta quebrar as senhas correspondentes fora do ambiente corporativo. Contas antigas, senhas previsíveis ou credenciais que nunca expiram tornam esse procedimento mais eficaz.

Já o password spraying consiste em testar uma mesma senha fraca contra muitas contas. A estratégia evita, em alguns casos, o bloqueio provocado por várias tentativas contra um único usuário. Senhas comuns, reutilizadas ou presentes em vazamentos aumentam significativamente o risco.

Os golden tickets e silver tickets exploram o sistema de autenticação baseado em Kerberos. Com chaves e informações obtidas de controladores de domínio ou serviços específicos, o invasor pode fabricar credenciais capazes de conceder acesso indevido. Esses ataques são particularmente perigosos porque podem permanecer ativos mesmo depois da troca de algumas senhas.

O DCSync merece atenção especial porque aproveita permissões que permitem solicitar dados normalmente replicados entre controladores de domínio. Se uma conta comprometida possuir privilégios excessivos, o atacante poderá obter hashes de senhas e outras informações sensíveis sem precisar acessar diretamente o arquivo de credenciais do controlador.

Como reduzir o risco no ambiente corporativo

A primeira medida é revisar continuamente as permissões atribuídas a usuários, grupos e contas de serviço. Privilégios administrativos devem ser concedidos apenas quando indispensáveis e pelo menor período possível. Contas que não são mais utilizadas precisam ser desativadas ou removidas, principalmente aquelas pertencentes a funcionários desligados e antigos fornecedores.

Também é importante separar contas administrativas das contas usadas para tarefas cotidianas. O administrador não deve navegar na internet, abrir e-mails ou executar aplicações comuns utilizando a mesma identidade empregada para gerenciar o domínio. Essa separação reduz o impacto caso uma estação de trabalho seja comprometida.

A autenticação multifator deve ser aplicada, prioritariamente, às contas privilegiadas, aos administradores de domínio, aos acessos remotos e aos serviços de gerenciamento. Embora o MFA não elimine todas as possibilidades de ataque, ele dificulta o uso de senhas roubadas e acrescenta uma camada adicional de proteção.

Outro ponto essencial é o controle das contas de serviço. Elas devem utilizar senhas longas, exclusivas e armazenadas de forma segura. Sempre que possível, a organização deve adotar mecanismos de gerenciamento automático de credenciais e evitar contas com privilégios administrativos permanentes.

Monitoramento e detecção de sinais de comprometimento

A identificação precoce depende da coleta e da correlação de registros de autenticação, alterações de grupos, criação de usuários, modificações em políticas e atividades realizadas nos controladores de domínio. Eventos fora do padrão, como logins em horários incomuns, acessos de locais inesperados e uso repentino de privilégios elevados, precisam ser investigados.

Soluções de detecção e resposta podem ajudar a observar movimentações laterais, execução remota de comandos e consultas anormais ao diretório. Entretanto, as ferramentas só serão eficazes se houver regras bem configuradas, retenção adequada de logs e uma equipe capaz de analisar os alertas.

A segmentação de rede também limita a capacidade de um invasor avançar depois de comprometer uma estação. Controladores de domínio devem permanecer em áreas protegidas, com acesso restrito e controles específicos de comunicação. Servidores críticos, estações administrativas e ambientes de usuários comuns não devem compartilhar o mesmo nível de conectividade.

As organizações devem ainda manter planos de resposta a incidentes voltados para o Active Directory. O procedimento precisa prever como isolar controladores, redefinir credenciais, invalidar tickets, verificar alterações maliciosas e reconstruir componentes comprometidos. Sem planejamento prévio, a recuperação de um domínio pode ser lenta e aumentar os prejuízos.

A revisão periódica das configurações é igualmente necessária. Políticas antigas, grupos abandonados, relações de confiança não utilizadas e permissões herdadas podem criar caminhos invisíveis para o comprometimento. Auditorias regulares ajudam a identificar essas brechas antes que sejam exploradas.

Por fim, a atualização publicada pelas agências do Five Eyes serve como referência prática para priorizar medidas de segurança. O documento reforça que proteger o Active Directory exige uma combinação de controles: redução de privilégios, autenticação forte, segmentação, monitoramento contínuo, gestão adequada de credenciais e capacidade de resposta. Como o serviço ocupa uma posição central na infraestrutura corporativa, qualquer falha em sua proteção pode transformar um incidente local em uma invasão de toda a rede.