Links legítimos do chatgpt são usados em ataques clickfix para instalar o netsupport Rat

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Links legítimos do ChatGPT são usados em ataques ClickFix para instalar o NetSupport RAT

Uma URL verdadeira nem sempre conduz a uma experiência segura. Criminosos estão explorando páginas compartilhadas do ChatGPT para iniciar campanhas de engenharia social que terminam com a instalação do NetSupport RAT, um trojan de acesso remoto capaz de dar controle amplo sobre computadores Windows.

A estratégia combina três elementos que, isoladamente, parecem confiáveis: o domínio oficial do ChatGPT, uma falsa verificação visualmente semelhante ao Cloudflare e a técnica ClickFix, que convence a própria vítima a executar comandos no PowerShell. O resultado é uma cadeia de infecção em vários estágios, criada para escapar de filtros simples e reduzir os sinais de alerta.

O ataque começa em uma página legítima

A campanha analisada utiliza uma URL real do domínio chatgpt.com. O endereço não foi falsificado nem explorou uma vulnerabilidade da OpenAI. Em vez disso, os criminosos abusaram do recurso de compartilhamento de conversas para publicar uma página com conteúdo enganoso.

Ao acessar o material, a vítima encontra uma mensagem informando que o serviço estaria enfrentando tráfego elevado. Em seguida, é apresentada uma orientação para continuar por um suposto domínio de backup. A página não realiza um redirecionamento automático: o usuário precisa clicar voluntariamente no botão indicado.

Esse detalhe é fundamental. O navegador não é explorado, o ChatGPT não é invadido e nenhum código malicioso precisa ser executado no domínio legítimo. A confiança associada à plataforma é utilizada apenas para aumentar a probabilidade de a vítima seguir para a próxima etapa.

O domínio alternativo identificado na campanha foi `openai-backup[.]one`, registrado em 11 de agosto de 2026 e sem qualquer vínculo com a OpenAI. A aparência e o nome foram planejados para sugerir continuidade entre os serviços, embora a infraestrutura estivesse sob controle dos criminosos.

A falsa verificação imita o Cloudflare

Depois de deixar a página legítima, o usuário chega a uma tela que simula uma verificação de segurança. Elementos visuais associados ao Cloudflare, como a validação de humanidade e mensagens sobre proteção contra tráfego automatizado, são usados para tornar a fraude mais convincente.

A página, porém, não pretende apenas verificar se o visitante é humano. Ela prepara a vítima para executar uma ação perigosa. Essa abordagem pertence à família de ataques ClickFix, nos quais o criminoso apresenta uma suposta correção, validação ou etapa necessária e orienta o usuário a copiar e executar um comando.

Em vez de explorar uma falha técnica, o ataque explora o comportamento humano. A pessoa acredita estar concluindo um CAPTCHA ou corrigindo um problema no navegador, quando, na realidade, está iniciando o download e a execução do malware.

ClickFix transforma a vítima em parte da cadeia de infecção

O roteiro costuma solicitar que o usuário pressione uma combinação de teclas, abra o PowerShell ou cole um comando no terminal. Como a ação é apresentada como parte de uma verificação, muitos usuários não percebem que estão concedendo ao invasor uma forma de execução local.

O PowerShell inicia uma sequência de múltiplos estágios. Cada etapa tem uma função específica: coletar dados do ambiente, buscar o próximo componente, contornar mecanismos de detecção e, finalmente, instalar o NetSupport RAT.

A utilização de diversas fases dificulta a análise. O primeiro comando pode parecer inofensivo ou apenas baixar um arquivo intermediário. O conteúdo realmente perigoso só aparece mais tarde, quando o sistema já foi avaliado e a infraestrutura maliciosa confirmou que a execução ocorreu em um ambiente adequado.

ClickHunter faz o reconhecimento da máquina

Um dos componentes observados na campanha é o ClickHunter, responsável por coletar informações detalhadas sobre a vítima e o computador comprometido. Esse reconhecimento pode incluir dados do sistema operacional, nome do dispositivo, usuário ativo, configurações de rede, programas instalados e indicadores relacionados a ferramentas de segurança.

A finalidade é identificar se o ambiente pertence a uma organização, se possui informações valiosas e se reúne condições para receber os estágios seguintes. Também pode servir para evitar a entrega do payload final em máquinas virtuais, sandboxes ou sistemas utilizados por pesquisadores.

Esse comportamento reforça a necessidade de monitorar o contexto da execução. Um script isolado talvez não seja suficiente para confirmar um incidente, mas a combinação entre abertura do PowerShell, coleta de inventário e comunicação com um domínio recém-criado representa um sinal de alto risco.

Arquivo MP4 esconde o próximo estágio

A cadeia utiliza um arquivo com extensão MP4 para ocultar ou transportar o próximo componente. A extensão sugere um vídeo comum, mas o arquivo pode conter dados codificados, conteúdo anexado ou instruções que serão extraídas por um script anterior.

Essa técnica se aproveita da confiança que os usuários depositam em formatos multimídia. Além disso, arquivos que não possuem a extensão tradicional de executáveis podem escapar de verificações superficiais e passar despercebidos em determinados fluxos de análise.

Depois de processado, o arquivo MP4 libera o estágio seguinte, que prepara a instalação do NetSupport RAT. O abuso de arquivos aparentemente inofensivos mostra por que a análise de extensões, sozinha, não é suficiente para avaliar um download.

O estágio final instala o NetSupport RAT

Na etapa final, o ataque entrega o NetSupport RAT, uma ferramenta de acesso remoto que pode ser utilizada para controlar o computador, executar comandos, capturar informações e manter persistência no ambiente.

Embora o NetSupport possa existir em contextos legítimos de suporte técnico, sua instalação sem autorização transforma o programa em um recurso de espionagem e administração clandestina. Com acesso remoto, os criminosos podem roubar credenciais, buscar documentos, observar atividades e preparar ataques posteriores, como ransomware ou fraude financeira.

A infecção também pode permanecer discreta por algum tempo. Em vez de exibir sinais evidentes, o malware pode operar em segundo plano e estabelecer comunicação periódica com a infraestrutura de comando e controle.

Por que o golpe é tão convincente?

A campanha foi construída para distribuir a responsabilidade entre diferentes etapas. Primeiro, o usuário vê um endereço legítimo. Depois, encontra uma página com aparência de serviço de proteção conhecido. Por fim, recebe uma instrução que parece necessária para concluir o acesso.

Cada elemento reduz a desconfiança. O problema surge quando a vítima avalia a cadeia inteira como se fosse uma única experiência confiável. A presença de `chatgpt.com` no início não valida os domínios acessados depois, assim como um CAPTCHA não transforma um comando PowerShell em uma operação segura.

Essa técnica também dificulta a classificação por ferramentas baseadas apenas em reputação. O primeiro endereço pode ser legítimo, o segundo pode ser recente e o payload só surgir após interação humana.

Como identificar a fraude

O principal alerta é a solicitação para copiar comandos, abrir o PowerShell ou colar instruções no terminal durante uma verificação de humanidade. CAPTCHAs legítimos não exigem que o usuário execute comandos no sistema operacional.

Outros sinais importantes incluem:

– domínio alternativo com nomes que imitam marcas conhecidas;
– mensagens de urgência ou indisponibilidade do serviço;
– instruções para desativar proteções do navegador ou antivírus;
– download de arquivos com extensões incomuns;
– páginas que misturam logotipos de empresas diferentes;
– comandos PowerShell apresentados como parte de uma validação;
– arquivos multimídia que, na verdade, são processados por scripts.

Usuários devem conferir o domínio completo, evitar copiar comandos recebidos em páginas desconhecidas e fechar imediatamente telas que orientem a execução de instruções no terminal.

O que as empresas devem monitorar

As equipes de segurança precisam procurar comportamento, e não apenas assinaturas de malware. Entre os eventos relevantes estão a abertura inesperada do PowerShell por um navegador, a execução de comandos colados na área de transferência, downloads iniciados por páginas recém-criadas e a leitura de arquivos com extensões incompatíveis com o conteúdo real.

Também é recomendável registrar conexões com domínios recém-registrados, observar processos filhos de navegadores e aplicar políticas que limitem o uso de PowerShell por usuários que não necessitam dessa ferramenta.

A detecção deve considerar a sequência completa: acesso a uma página externa, execução de PowerShell, coleta de informações, download de um arquivo disfarçado e comunicação com um servidor remoto. A correlação desses eventos aumenta significativamente a capacidade de identificar a campanha.

A lição para a segurança de plataformas de IA

O caso mostra que a segurança não depende apenas da proteção do serviço de inteligência artificial. Recursos legítimos, como páginas compartilhadas, podem ser incorporados a campanhas criminosas mesmo sem comprometimento direto da plataforma.

Por isso, a análise deve incluir todo o ecossistema ao redor da IA: links gerados, páginas compartilhadas, domínios de redirecionamento, instruções exibidas ao usuário e arquivos distribuídos durante a navegação.

A recomendação não é deixar de utilizar o ChatGPT, mas verificar cada etapa da cadeia. Um link legítimo pode ser apenas o ponto de partida de uma fraude, e a aparência familiar de uma verificação não deve justificar a execução de comandos no computador.