Ascenty eleva nível de segurança de IT e OT com plataforma xDome da Claroty
A Ascenty, maior provedora de serviços de data center e conectividade da América Latina, deu um salto significativo na proteção de seus ambientes críticos ao adotar a solução xDome, da Claroty. Anunciado em julho de 2026, o projeto faz parte de um programa estruturado de gestão de riscos cibernéticos e resultou em um avanço estimado de cerca de 50% na maturidade de segurança da companhia, tanto em IT quanto em OT.
Com 40 data centers em operação ou em construção no Brasil, México, Chile e Colômbia, todos interligados por uma rede própria de fibra óptica com mais de 4.000 quilômetros, a Ascenty opera em um cenário de alta complexidade. A empresa integra o ecossistema da Digital Realty e atua em modelo carrier neutral, conectando provedores de nuvem e grandes clientes corporativos em uma infraestrutura considerada crítica para a economia digital da região.
Segundo Rui Mella Junior, Gerente de Segurança da Informação e Infraestrutura de TI da Ascenty, o projeto surgiu da necessidade de enxergar melhor o que acontece na camada operacional dos data centers e de tornar mais robusta a gestão de riscos. Não se tratava apenas de proteger servidores e aplicações tradicionais, mas também de monitorar sistemas de suporte à operação física, como energia, refrigeração, controle de acesso, CFTV e plataformas de Building Management Systems (BMS).
Mella destaca que a lógica de proteção em ambientes operacionais é diferente da segurança em TI convencional. Em muitos casos, os equipamentos que sustentam a operação são legados, altamente críticos e não podem ser simplesmente atualizados ou substituídos sem planejamento detalhado. Isso exige abordagens que não gerem indisponibilidade e que considerem a particularidade dos protocolos industriais e de automação.
A implantação da xDome foi organizada em fases. Nos primeiros 45 a 60 dias, a empresa já começava a colher ganhos concretos de visibilidade. Esse período inicial envolveu a preparação da infraestrutura, a instalação de appliances (edges), a configuração de espelhamento de portas, a integração com redes existentes e o ajuste fino da coleta de dados. A partir daí, a Ascenty passou a ter um mapa muito mais claro de seus ativos conectados e dos fluxos de comunicação em seus data centers monitorados.
Em aproximadamente seis meses de projeto, a visibilidade operacional alcançou um patamar mais amplo. A solução passou a alimentar diretamente o SIEM corporativo, a operar em conjunto com o SOC e a se integrar com os processos internos de gestão de vulnerabilidades e riscos. Isso permitiu criar um ciclo contínuo em que detecções da xDome geram alertas, são analisadas pelo time de segurança e resultam em ações de mitigação priorizadas de acordo com o impacto para o negócio.
A xDome da Claroty tornou possível a construção de inventários automatizados de ativos em ambientes antes difíceis de mapear com precisão. A plataforma monitora o tráfego em tempo real, identifica padrões de comportamento e destaca anomalias que podem indicar ameaças, falhas de configuração ou uso indevido. Além da simples descoberta de equipamentos, a solução associa cada ativo a seu contexto, sua função no ambiente e suas possíveis rotas de comunicação.
Essa visão contextualizada é o ponto que Mella considera o maior ganho do projeto. Para ele, não faz sentido tratar vulnerabilidades apenas como uma lista de falhas técnicas. É essencial compreender a severidade de cada uma, o impacto operacional que uma exploração pode causar, a facilidade com que pode ser explorada e, principalmente, o quanto isso afeta diretamente o negócio e os serviços ao cliente. A partir dessa análise, a priorização de correções, segmentações de rede e definição de controles compensatórios torna-se muito mais eficaz.
A avaliação de maturidade da Ascenty foi baseada em um assessment alinhado ao framework NIST SP 800-82, referência internacional para segurança de sistemas industriais e de automação. Com a adoção da xDome e a revisão de processos, a companhia registrou uma evolução estimada de cerca de 50% em seu nível de maturidade em segurança e gestão de riscos cibernéticos. Esse ganho reflete não apenas a implementação tecnológica, mas também a integração da solução à governança e aos fluxos internos de decisão.
O projeto reforça ainda o programa corporativo de cibersegurança da Ascenty, que abrange várias frentes: desde a proteção de ambientes de TI tradicionais até a segurança de OT, gestão de identidades, governança de acessos privilegiados e a preocupação com riscos na cadeia de suprimentos. Em um ecossistema tão interconectado, vulnerabilidades de terceiros podem ter efeitos diretos sobre a infraestrutura de data centers.
Na visão de Mella, a segurança na Ascenty deixou de ocupar um papel meramente operacional ou de suporte e passou a atuar como um elemento estratégico de negócio. A capacidade de garantir continuidade, disponibilidade e confiabilidade dos serviços de data center se tornou um diferencial competitivo. Em um mercado em que interrupções podem significar perdas milionárias e impactos reputacionais profundos, a resiliência cibernética é fator crítico para manter a confiança dos clientes.
Italo Calvano, Vice-Presidente Regional da Claroty para a América Latina, ressalta que projetos como o da Ascenty ilustram uma mudança de paradigma na proteção de infraestruturas críticas. A combinação de visibilidade contínua dos ativos, monitoramento comportamental e contextualização de riscos deixa de ser opcional e passa a ser requisito básico para quem opera ambientes de missão crítica. Em sua avaliação, o setor caminha para um cenário em que a fronteira entre IT e OT se torna cada vez mais difusa, exigindo soluções que enxerguem o todo.
A adoção da xDome também responde a um contexto mais amplo de crescimento de ameaças cibernéticas que exploram justamente a convergência entre o digital e o físico. Ataques que começam em redes de TI e se propagam para sistemas de automação, energia e climatização podem causar desde indisponibilidades localizadas até interrupções em larga escala. Data centers, por estarem na base de serviços essenciais, são alvos particularmente sensíveis para grupos de cibercrime e ameaças avançadas.
Um ponto relevante é que a visibilidade proporcionada pela plataforma não se limita a identificar problemas imediatos. Ela oferece insumos para decisões de médio e longo prazo, como revisões de arquitetura de rede, redefinição de zonas de segurança, criação de políticas específicas para segmentos OT e planejamento de investimentos em segurança. Com dados consolidados e enriquecidos, a Ascenty consegue justificar priorizações perante a alta gestão com base em risco real, e não apenas em percepções subjetivas.
Outro benefício indireto está na redução de esforços manuais. Em ambientes complexos, manter inventários atualizados e compreender as interdependências entre sistemas consome tempo das equipes técnicas. A automação dessa etapa libera especialistas para atuarem de forma mais estratégica, analisando riscos e definindo contramedidas ao invés de apenas reagir a incidentes ou trabalhar em cadastros e planilhas.
No contexto regulatório e de conformidade, a maturidade ampliada também traz vantagens. Embora a reportagem não detalhe normas específicas, iniciativas que aumentam a rastreabilidade, o registro de eventos, o controle de acessos e a visibilidade sobre o ciclo de vida dos ativos facilitam o atendimento a exigências legais e contratuais, especialmente para clientes de setores regulados como financeiro, saúde, governo e indústria.
A integração com o SOC e o SIEM é outro aspecto que fortalece a postura de segurança. Em vez de operar como uma solução isolada, a xDome passa a ser mais um sensor especializado dentro de uma arquitetura de monitoramento unificada. Alertas de ambientes OT/ICS são correlacionados com eventos de TI, permitindo identificar campanhas de ataque que cruzam diferentes camadas da infraestrutura. Essa visão unificada é essencial para detecção precoce de ameaças mais sofisticadas.
Do ponto de vista de negócios, investir em segurança OT em data centers também é uma forma de antecipar demandas dos clientes. À medida que empresas amadurecem suas próprias estratégias de cibersegurança, cresce a expectativa de que seus provedores de infraestrutura adotem padrões igualmente rigorosos. Mostrar ganhos mensuráveis na maturidade de segurança, baseados em frameworks reconhecidos, ajuda a reforçar a proposta de valor da Ascenty junto ao mercado.
O caso da Ascenty com a Claroty sinaliza ainda uma tendência para outros operadores de infraestrutura crítica na América Latina: a necessidade de tratar ambientes operacionais com o mesmo nível de atenção e profundidade analítica já aplicado às redes de TI. A digitalização de processos físicos e o avanço da automação tornam cada vez mais tênue a linha que separa o mundo lógico do mundo real. Nesse cenário, incidentes cibernéticos podem se traduzir rapidamente em impactos tangíveis, como interrupção de serviços, danos a equipamentos e risco à segurança física.
Ao consolidar visibilidade, contexto e processos de resposta integrados, a Ascenty demonstra que cibersegurança pode – e deve – ser encarada como alavanca de confiabilidade e continuidade, não apenas como centro de custo. A parceria com a Claroty, por meio da adoção do xDome, mostra que tecnologia especializada, somada a uma governança bem estruturada, é capaz de transformar a forma como empresas gerenciam riscos em ambientes cada vez mais conectados e complexos.
