Claro lança CISO Next, hub de líderes para acelerar agenda de cibersegurança no Brasil
A Claro empresas anunciou a criação do CISO Next, uma iniciativa voltada a aproximar executivos responsáveis pela segurança da informação em grandes organizações e a fomentar discussões estratégicas sobre cibersegurança no país. O projeto é desenvolvido em parceria com a MIT Technology Review Brasil e pretende consolidar a segurança digital como um dos pilares do desenvolvimento econômico e tecnológico brasileiro.
Mais do que um espaço de troca de experiências, o CISO Next foi estruturado como um programa anual, com encontros periódicos, produção de conteúdo especializado e debates orientados por moderadores da MIT Technology Review Brasil. A proposta é construir um ambiente em que líderes de segurança possam discutir, com profundidade, desafios que vão muito além da tecnologia, alcançando temas de governança, regulação, inovação e impacto socioeconômico.
A iniciativa parte da premissa de que a cibersegurança deixou de ser um assunto restrito às áreas técnicas. Em um cenário de digitalização acelerada, ataques complexos e cadeias de suprimentos cada vez mais interconectadas, uma brecha em um único elo pode gerar efeitos em cascata sobre parceiros, fornecedores, clientes e até setores inteiros da economia. Por isso, o programa enfatiza a segurança como responsabilidade compartilhada, que depende tanto de decisões de negócio quanto de investimentos em tecnologia e capacitação.
“Enxergamos a cibersegurança como uma jornada contínua, não como um projeto com começo, meio e fim. Fortalecer as lideranças desse ecossistema é fundamental para manter a inovação em andamento sem abrir mão da proteção”, afirma Denis Nesi, CISO da Claro. Ele destaca que, à medida que as empresas adotam nuvem, 5G, internet das coisas e inteligência artificial, cresce também a necessidade de visão estratégica integrada, capaz de equilibrar risco, velocidade e competitividade.
Paulo Martins, diretor de Segurança da Informação da Claro empresas, reforça que o CISO Next nasce olhando para a realidade específica do país. “O objetivo é oferecer informação qualificada, diretrizes e boas práticas adaptadas ao contexto brasileiro. Falamos de desafios como infraestrutura crítica, legislação local, maturidade das empresas, cultura organizacional e escassez de profissionais especializados”, pontua.
Entre os temas previstos para os encontros estão soberania tecnológica, formação e retenção de talentos em segurança, gestão de risco em cadeias de valor complexas, papel do CISO nas decisões de investimento e relacionamento com o board executivo. Também entram na pauta tópicos como conformidade com regulamentações, proteção de dados pessoais, impactos da inteligência artificial na segurança e resposta a incidentes de alta complexidade.
Executivos de grandes organizações como Vale, Gerdau e Serpro participam da primeira formação do CISO Next, o que amplia a diversidade de visões setoriais. A presença de empresas de mineração, siderurgia, serviços de tecnologia e governo permite comparar desafios de segurança em infraestruturas críticas, ambientes industriais (OT), serviços digitais de larga escala e sistemas públicos sensíveis.
Um dos diferenciais do programa é a intenção declarada de tratar a segurança não apenas como custo ou exigência regulatória, mas como ativo estratégico. Ao compartilhar aprendizados, erros e acertos, líderes de diferentes mercados podem encurtar curvas de maturidade e identificar padrões de ataques, lacunas de governança e oportunidades de cooperação. Isso inclui, por exemplo, alinhar requisitos de segurança em contratos com fornecedores, rever políticas de acesso a sistemas e fortalecer planos de continuidade de negócios.
A discussão sobre soberania tecnológica deve ganhar peso nos debates. À medida que o Brasil aumenta sua dependência de plataformas globais, serviços em nuvem e softwares de terceiros, cresce a urgência de compreender onde estão os dados, como são tratados, quais são as dependências críticas e que níveis de autonomia e transparência são necessários. Para CISOs, isso implica negociar com provedores, cobrar padrões de segurança, avaliar riscos de concentração e, quando possível, incentivar o desenvolvimento de soluções locais.
Outro ponto sensível, que o CISO Next pretende abordar, é a escassez de talentos em cibersegurança. O déficit de profissionais especializados é uma barreira real à implementação de estratégias robustas de proteção. A comunidade de líderes pode contribuir propondo caminhos para formação acelerada, programas de capacitação interna, parcerias com instituições de ensino e iniciativas de inclusão de novos perfis – por exemplo, atraindo pessoas de áreas como direito, negócios e comunicação para funções de governança, gestão de risco e conscientização.
A relação do CISO com o conselho e a alta direção também deve ser explorada em profundidade. Ainda é comum que temas de segurança cheguem ao board de forma excessivamente técnica, dificultando a priorização e a alocação de recursos. Uma das metas do programa é apoiar os executivos na tradução de riscos cibernéticos para linguagem de impacto financeiro, reputacional e operacional, demonstrando como um incidente pode interromper cadeias de produção, prejudicar receitas, gerar multas e comprometer a confiança do mercado.
No contexto brasileiro, em que se multiplicam ataques a órgãos públicos, empresas de infraestrutura, varejo e serviços financeiros, a construção de uma visão coletiva sobre resiliência cibernética torna-se ainda mais urgente. Iniciativas como o CISO Next podem ajudar a consolidar práticas mínimas de proteção em diferentes setores, estimular simulações conjuntas de crises, criar rotinas de troca de informações sobre ameaças e incentivar decisões coordenadas em momentos críticos.
Também ganha espaço a discussão sobre como a inteligência artificial impacta tanto a defesa quanto o ataque. De um lado, algoritmos podem apoiar a detecção precoce de comportamentos suspeitos, automatizar respostas a incidentes e otimizar o trabalho de equipes enxutas. De outro, criminosos utilizam as mesmas tecnologias para criar golpes mais sofisticados, personalizar ataques de engenharia social e explorar vulnerabilidades em larga escala. O CISO Next surge como lugar para amadurecer esse debate e separar o hype do que realmente agrega proteção.
Ao organizar esse programa conjunto com a MIT Technology Review Brasil, a Claro empresas sinaliza que enxerga a segurança como parte do seu posicionamento de valor junto aos clientes corporativos. Mais do que oferecer soluções técnicas, a empresa demonstra interesse em contribuir para a construção de um ambiente de negócios mais preparado para ameaças digitais, o que, por consequência, beneficia toda a cadeia econômica.
No longo prazo, o impacto esperado vai além das organizações diretamente envolvidas. A consolidação de uma rede estruturada de líderes de segurança tende a influenciar padrões de mercado, inspirar políticas públicas, elevar o nível de exigência em contratos e ampliar o debate público sobre privacidade, proteção de dados e responsabilidade digital. Com o CISO Next, ganha força a ideia de que inovação e segurança precisam avançar lado a lado se o Brasil quiser competir globalmente sem expor seus ativos mais críticos.
